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Do dia em que, ainda adolescente, entrei numa biblioteca, para ali trabalhar, gravou-se uma lembrança que se agarrou definitivamente à minha memória. Lembrança que é a minha madeleine particular: o cheiro dos livros, misturado ao da madeira dos móveis, da cera do assoalho, da torrefadora cuja chaminé despejava o aroma de café bem diante da janela da biblioteca. Talvez, mais do que memórias tudo isso tenha acabado por criar uma dependência fisiológica e psicológica ao ambiente dos livros. Não ao livro isoladamente. Mas ao conjunto de sensações que se criam num ambiente onde os livros sejam dominantes.
Essa pode ser uma explicação para o impulso que me levou a criar uma livraria. Além da satisfação que sentia, quando era bibliotecário, ao notar a alegria e o contentamento do leitor que via atendida sua necessidade por um livro ou um artigo de revista. Desse ponto de vista, não há muita distância entre bibliotecário e livreiro.
Por que uma livraria de arte?
Pelo prazer que os livros de arte proporcionam a quem convive com eles. Pela satisfação de estar atendendo a uma necessidade sentida em Brasília há muito tempo por todos os que estudam, ensinam, fazem ou apreciam as artes visuais. E, porque, afinal, estar em contato com as artes e os artistas pode ser, como disse Argan, um modo mais lúcido de estar no mundo.
Briquet de Lemos
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